Sweet Dreams

Sunday, April 02, 2006

Dolce vita

Começar com poesia é sempre bom.
Sentir o que as palavras dizem...
Hoje é o que eu sinto que preciso,
é o que todos nós precisamos...
Não é mesmo meu caro Drummond?

Amar
Que pode uma criatura senão,entre criaturas, amar?
amar e esquecer,amar e malamar,
amar, desamar, amar?sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,um vaso sem flor, um chão de ferro,e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,e na concha vazia do amor a procura
medrosa,paciente, de mais e mais amor.Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade

Um brinde ao amor!
Que seja infinito enquanto dure, que dure eternamente! Amém!

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